Seminário de Ginástica Artística promove importantes discussões para o ciclo olímpico

Durante dois dias, profissionais de diversas áreas estiveram reunidos no CT Time Brasil para tratar do planejamento das Seleções e ações em prol do desenvolvimento da modalidade..

Da redação, Santo André (SP) - Temas de grande relevância ligados ao desenvolvimento da ginástica artística no país foram discutidos durante este sábado (13) e domingo (14) no Centro de Treinamento Time Brasil, no Rio de Janeiro (RJ). Com a presença de profissionais de diversas áreas, a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) e o Comitê Olímpico do Brasil (COB) promoveram o Seminário de GA, para discutir o planejamento do ano de 2018 para o ciclo olímpico e ações fundamentais para desenvolver cada vez melhor o esporte.

O evento contou com a presença de treinadores, médicos, fisioterapeutas, árbitros, gerentes e profissionais de várias áreas. Além do desempenho e resultados, estiveram em pauta discussões bastante produtivas para a a melhoria dos procedimentos ligados à performance, à ética e código de conduta. Tudo isso para que a modalidade, detentora de quatro medalhas olímpicas, possa alcançar cada vez mais melhores resultados, levando em conta, acima de tudo, o bem-estar dos atletas e comissões técnicas.

Estiveram na programação assuntos como a necessidade das avaliações constantes que são realizadas, as principais lesões da modalidade e como evitá-las, assédio no esporte, código de conduta, doping, coaching esportivo, análise do cenário internacional, preparação física, nutrição, arbitragem e participação em eventos internacionais, entre outros.

Um dos temas amplamente discutido foi a prevenção e tratamento de lesões. Ações de extrema importância têm sido feitas pela equipe multidisciplinar das Seleções para evitar o máximo possível o surgimento de lesões que possam afetar o desempenho e o desenvolvimento dos atletas. Eles têm passado por avaliações constantes, que levam em conta também os treinamentos, nutrição e o tempo de recuperação, também fundamental. As principais lesões comuns da modalidade foram discutidas e todos os profissionais presentes foram orientados.

Integrante do departamento médico do COB, o Dr. Rodrigo Sasson ressaltou a importância do seminário para reunir os profissionais envolvidos com a ginástica. "Como um seminário de início de ano, foi muito importante reunir os treinadores dos principais clubes. A adesão foi muito grande. Tivemos a presença de treinadores, gestores, administradores, fisioterapeutas, equipe multidisciplinar como um todo. Conseguimos selecionar os principais temas, tanto da parte de saúde, quando falamos de prevenção e tratamento, como da parte de treinamento, planejamento e preparação física. Dividimos em dois grandes focos: a prevenção de lesão e a melhora do rendimento. Me surpreendeu positivamente a participação das pessoas. Selecionamos palestrantes específicos para cada tema. Então, nosso saldo foi extremamente positivo, tanto das palestras, ensinamentos, como da interação de toda a equipe multidisciplinar, fazendo perguntas, trocando experiência, trazendo experiência em uma espécie de intercâmbio. Tenho certeza que a ginástica como um todo saiu muito fortalecida e cresceu com esse seminário. Esperamos que esse seja somente um pontapé inicial de um trabalho em longo prazo a ser feito."

O objetivo de integrar todas as áreas e discutir diversos temas, sejam eles dos mais simples aos mais complexos, foi atingido com total êxito, segundo Luciene Resende. "O mais importante foi trocar informações para trabalharmos o ciclo olímpico, que vai até 2020. O seminário foi um passo importante para a sequência do trabalho que já vem sendo realizado. Foram discutidos assuntos complexos, que ainda não haviam sido tratados abertamente, e isso foi muito positivo. Acredito que todos saíram daqui bastante satisfeitos com o resultado", destacou. "Nossa modalidade já é vitoriosa. O Brasil foi o país que mais evoluiu no cenário mundial nesses dois últimos ciclos olímpicos e, com ações como essas, a tendência é melhorar cada vez mais", acrescentou.

Bastante discutida também foi a conduta ética, exposta pelo assessor jurídico da CBG, Paulo Schmitt. "O código de ética da CBG foi recentemente editado e merece uma análise detalhada para sua efetiva prática. Fizemos pesquisas e conseguimos ampliar a abrangência desse documento para diversas áreas. Ele reflete as boas práticas exigidas de todos aqueles que atuam na entidade. Que essas condutas não se confundam com a parte disciplinar, que tem jurisdição específica no tribunal esportivo."

Durante a apresentação do tema, os participantes tiveram a oportunidade de sanar dúvidas a respeito e fazer observações para se chegar a um modelo ideal. "Procuramos elaborar um código completo, bastante consistente e, com a colaboração de todos, chegaremos a um modelo ideal", completou Schmitt.

"Me sinto honrado com o convite para participar desse evento e parabenizo a todos pela iniciativa. Temos que reforçar as políticas de prevenção. É preciso fiscalização e punição. Tem que ser feito um controle, ter atenção permanente, denunciar e punir em caso de descumprimento das normas estabelecidas. Temos que lembrar que determinados temas não desaparecem por não se falar sobre eles. O fato de não se falar sobre manipulação de resultados, assédio sexual, assédio moral, racismo, preconceito não é bom para o esporte e para a nossa imagem. São fenômenos sociais e precisamos estar atentos para enfrentar cada um desses temas", encerrou o advogado.

O gerente de performance do COB, afirmou que os dois dias foram muito proveitosos e as discussões foram um passo importante para o desenvolvimento da ginástica. "O evento cumpriu o papel que havia sido proposto. Envolveu treinadores, coordenadores, fisioterapeutas, os profissionais que atuam diretamente na preparação dos atletas de ginástica em uma discussão que envolveu temas relacionados diretamente à função de cada um. Tivemos a questão da fisiologia, da nutrição, da preparação física, tivemos muitos aspectos técnicos, muitas questões relacionadas a planejamento e à classificação para os Jogos Olímpicos de 2020. Toda a programação desse seminário foi estudada com muito carinho para que apresentássemos informações úteis para o dia-a-dia do trabalho. As exposições foram ricas e as participações foram efetivas. Alguns temas são polêmicos e foram expostos dessa forma mesmo para colocar as pessoas para pensar, refletir, tomar suas decisões e entender quais caminhos existem. Para nós, do COB, em parceria com a CBG, nosso objetivo está sendo cumprido em oferecer a esses treinadores condições de se organizarem melhor e tratarem cada vez melhor os atletas brasileiros."

Além do seminário, a ginástica artística seguirá com um forte trabalho pelos próximos dias. A partir de amanhã, 20 atletas da ginástica artística masculina e 20 da feminina estarão reunidos no CT Time Brasil para um período de treinamento e avaliações que vai até o dia 27. Os trabalhos estarão sob a coordenação de Marcos Goto e conta com a presença de diversos treinadores.



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